"Nada é eterno, tudo passa... mas o que foi feito com amor, como os dez anos de vida da Perséfone, deixa um eco de bondade que ressoa para sempre."
![]() |
| "Dizer adeus é difícil, mas dizer adeus por negligência é devastador. A nossa amada Pepê foi vítima de um erro médico veterinário fatal, e do silêncio frio de quem deveria ter zelado por ela". |
Sarah Matias/Blog Jornalismo Imparcial
jornalismoimparcial@gmail.com
Esse artigo está sendo escrito para eternizar e honrar a memória de uma eterna amiga. Desde que o mundo existe, os humanos têm os animais como companheiros em suas diversas jornadas pela vida.
E não foi diferente com você, Perséfone. A sua existência em minha vida veio para alegrar e mostrar que amizades existem entre seres de espécies diferentes. Lembro-me com exatidão, a data em que te adotei: 10/09/2016. Foi uma adoção consciente, aonde você foi levada até mim, quando decidi que queria uma gatinha. Ao te pegar no meu colo, ainda filhote, com apenas 2 meses de vida, te fiz uma promessa a qual eu honrei em vida. Disse-lhe:
_ Até o último dia de sua vida, eu cuidarei de você com todo o amor e cuidado que você merece!
Ali, no auge dos meus 16 anos, sequer imaginava o que o destino estava preparando para nossas vidas. Foi como um doce e belo drama grego, com momentos engraçados e sérios, porém não menos contentes. Vivemos grandes aventuras e descobertas.
Em você encontrei a lealdade, o amor, a doçura e gentileza que talvez eu jamais veja em outro ser. Em contrapartida, você viu em mim o amor, a confiança, a proteção e o respeito. Em toda minha vida, não pude imaginar que nossa convivência criaria um vínculo de amizade tão forte, ao ponto de você entender os momentos em que estava triste ou ansiosa, em que você esteve ao meu lado, em seu silêncio, mas como se me dissesse mentalmente "tudo vai passar, eu estou aqui com você!".
É com grande alegria que me lembro que tinha que me levantar cedo para ir à escola. E melhor do que qualquer despertador, você, ainda pequena, me acordava colocando a patinha na minha cara suavemente, como se dissesse: "Levante, humana! Está na hora de você acordar!". Você era de uma inteligência notável, Perséfone!
O tempo passou e fomos aprendendo uma com a outra sobre nossas rotinas e hábitos. Nos meus momentos de estudo, era comum você se deitar próximo, ou até mesmo em cima do meu caderno e dormir. Ali você estava me dando o suporte e a calma que precisava nesses momentos de preparação. Verdade seja dita, você esteve comigo em toda a minha trajetória acadêmica, desde a conclusão do ensino médio, enfrentando a faculdade, inclusive no período sombrio da Covid-19, até a conclusão de 2 pós-graduações. Como poderia me esquecer de você, tão quieta, mas tão cheia de vida ao meu lado?
Durante seu desenvolvimento, vi você com os hábitos típicos de felinos, que me alegravam e tirava bons sorrisos como entrar dentro de caixas de papelão, subir em cima da pia para ficar deitada ou simplesmente brincar com bolinhas de plástico, que eu preparava cuidadosamente para você brincar, sem riscos para sua saúde. Vi também você desenvolver hábitos questionáveis como me pedir colo como se fosse uma criança de colo, implorar por um pouco de doce de leite quando eu comia, ou o pior deles, que era temer baratas quando essas apareciam ocasionalmente em casa. (esse tenho certeza que aprendeu comigo, hahaha!).
Entre os vários endereços os quais a nossa família teve que se mudar, você sempre foi levada com muito cuidado e carinho. Jamais me perdoaria se algo e acontecesse nas mudanças. Até então, como única gata na família, você agia de uma forma...até você ganhar ouros irmãos felinos.
Pode vir 500 veterinários e estudiosos comportamentais dizerem que não, mas eu vi a mudança dos seus hábitos (como achar que era uma espécie de humana diferente), para uma gatinha que compreendia o mundo humano e estava descobrindo, junto com outros de sua espécie, habilidades e hábitos que só vocês gatos, podem produzir. E em todos esses momentos, também estive ao seu lado.
Durante os anos que se passaram, permanecemos juntas, onde você aprendeu minha rotina, brincávamos e dormíamos juntas e éramos felizes. Mas a partir de meados de dezembro de 2025, vi algo mudar repentinamente. Você começou a querer se afastar de mim na hora de dormir. Não entendia o motivo, mas parece que ali, você já queria me preparar para algo que eu não queria imaginar tão cedo. Apesar de você estar com 9 anos de idade - o que já é considerado uma idade de gato idoso, você tinha uma saúde normal. Contudo, já em 2026, logo na segunda semana do ano, você apresentou uma barriguinha levemente inchada. Se eu não conhecesse você, diria que poderia estar grávida. mas não era. Ao receber a visita de uma veterinária em casa, eu não sabia que estava assinando sua sentença de morte. E isso é o que mais me dói, Perséfone.
Como uma profissional indica um remédio que é prejudicial para o seu sistema nervoso, sem considerar o seu peso e histórico? E ainda deixa uma amostra de remédio para depressão, para lhe dar, informando apenas que abriria o seu apetite. Talvez você me achasse a pessoa mais inteligente do mundo, mas fui descuidada em não procurar saber mais sobre esses dois remédios. Essa parte da história me machuca, mas sei que nenhuma de nós teve culpa. eu não tinha conhecimento técnico em veterinária e você, tampouco. Em menos de 24 horas da aplicação, você teve suas patinhas traseiras e calda paralisados, restando-lhe apenas as patinhas dianteiras como seu suporte. Te ver agonizando e vomitando foi um crivo o qual o eu não queria que passasse. Passamos o fim de semana inteiro desesperados para que conseguíssemos atendimento veterinário urgente, mas parecia uma tortura não conseguir. Você, sempre tão doce e com bom gosto musical, procurei te proporcionar momentos de calmaria, colocando músicas e preparando ambiente confortável para ti. Com apenas um olhar, eu sabia que você queria subir em algum canto da casa. Ali, mais do que nunca, fui seu porto seguro e seu suporte físico, onde me cabia. Porém, às 4:59 da manhã, acordei com você fazendo barulhos na minha cama. Me deitei ao chão com você, te coloquei em meu colo, e escutamos músicas a manhã toda.
Porém, conforme o dia ia nascendo e as horas iam passando, seu estado piorava. Ao entrar em contato coma veterinária que te atendeu, essa apenas disse que te deu a medicação para depois ver o que poderia dar nos encheu de raiva, pela falta de respeito com você. Ao ver a seriedade do que cometeu, logo tratou de te arrumar um atendimento clínico. Mas ali, parecia que você não queria ficar longe da gente. Não queria ficar longe de mim. Fizemos tudo ao nosso alcance para te levar, mas antes que pudéssemos entrar no Uber, você partiu nos meus braços. Tentei de reanimar a todo custo, mas ali tive que encarar a realidade que achei que demoraria anos para viver: a sua morte.
Eu nunca senti tanta dor na vida, mas tive a certeza que você partiu em paz, com a certeza que eu cumpri minha promessa com você. Eu amei e cuidei de você até o fim. Você nunca foi um peso para mim, e durante um momento, senti uma paz única. Ali sabia que você foi para um plano melhor. E durante sua vida, te falei que eu não iria sofrer na sua partida. A dor do luto é dolorida, e sinto sua falta, mas saiba que sou grata por tudo que vivemos, meu amor. A dor vai passar, mas as memórias permanecerão para toda vida.
Peço a Deus, para que eu te reencontre quando eu partir. Quero ter a alegria de te ver além desta vida. Saiba que meu amor será eterno e quero preservar nossa história para todo a eternidade.
Obrigada pela amizade sincera e verdadeira, Perséfone. Minha eterna Pepê!


Nenhum comentário:
Postar um comentário