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domingo, 23 de agosto de 2026

Política_ Zema deixa cadeira vazia no debate da Band “Se ele não vai, eu também não vou.”

A justificativa divulgada para a ausência de Zema foi relacionada ao fato de Lula e outros concorrentes não participarem do encontro. 

Se o debate perdeu o propósito porque Lula e Flávio não foram, por que Zema pretende enfrentar a sabatina sozinho no Jornal Nacional? Afinal, para falar ao Brasil, é preciso que os adversários estejam presentes ou depende da emissora?

Por Diana Maia | Jornalismo Imparcial

O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band neste domingo (23), conseguiu uma façanha curiosa: colocar seis púlpitos no palco e deixar metade deles vazios.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), não compareceram.

Na frente das câmeras ficaram Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury, que acabaram transformando as cadeiras vazias dos adversários em um dos principais personagens da noite.
Mas, entre as ausências, uma particularmente chama atenção.
Zema faltou.
E a pergunta que fica é simples: se os outros não foram, ele precisava mesmo ir?  Mas, olhando do lado de cá, onde está o eleitor, a decisão parece no mínimo curiosa.

A justificativa divulgada para a ausência de Zema foi relacionada ao fato de Lula e outros concorrentes não participarem do encontro. 
Veja a íntegra da nota:

"A assessoria do candidato Romeu Zema do Partido NOVO contextualiza que a mudança de data do debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão de 16/08 para 23/08 havia sido considerada sob a premissa e a expectativa de que o candidato Lula fosse participar, garantindo a pluralidade do encontro.

Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial.

Nesse contexto, esta assessoria informa que Romeu Zema também não participará deste debate promovido pela Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão.

O posicionamento do Partido Novo é de oposição ao governo Lula e ao PT, cuja atuação é considerada uma tragédia ao país".

Se Lula não estava, se Flávio Bolsonaro não estava e se o palco tinha espaço para um candidato apresentar suas ideias ao eleitorado, por que deixar a própria cadeira vazia? A impressão que fica é quase aquela velha brincadeira de escola: “Se ele não vai, eu também não vou.” Ou, para usar uma expressão bem brasileira: será que candidato à Presidência precisa ser Maria vai com as outras? O debate teve apenas três participantes: Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. Enquanto isso, os que foram falaram.

 A cadeira vazia também faz campanha. No fim, quem perdeu? E os três perceberam rapidamente que as cadeiras vazias poderiam falar mais alto do que qualquer discurso. Caiado criticou os ausentes e defendeu, inclusive, que a presença dos candidatos em debates seja obrigatória. 

Renan Santos foi muito mais longe no espetáculo. Levou fraldas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro para ironizar a ausência dos dois. O gesto pode ser considerado exagerado, provocativo ou até infantil, dependendo do gosto do eleitor, mas cumpriu uma função: fez o ausente virar assunto. 

E Augusto Cury protagonizou talvez a situação mais curiosa da noite. Inicialmente, ele também ameaçou não participar em protesto contra as ausências de Lula e Flávio. Chegou à Band e anunciou que não entraria. Depois mudou de ideia e participou do debate, alegando respeito ao jornalista Fernando Mitre e à própria oportunidade de discutir o país. Ou seja: Cury quase ficou em casa, mudou de ideia e foi. Zema não foi. 

E, ironicamente, Cury acabou ocupando um espaço que poderia ter sido aproveitado por ele. Apesar do festival de púlpitos vazios, houve debate. Caiado apresentou sua experiência administrativa e falou sobre segurança pública, educação e gestão. Renan Santos adotou um discurso mais agressivo, explorando justamente a ausência dos adversários e fazendo críticas duras a Lula e Flávio Bolsonaro. 

Cury tentou imprimir um tom diferente, criticando a polarização e defendendo uma abordagem mais técnica para problemas como educação, segurança e políticas sociais. O curioso é que o debate que poderia ter sido dominado pelos candidatos mais conhecidos acabou oferecendo aos três presentes uma vitrine nacional.

E Zema não estava lá para aproveitar a vitrine.

Há ainda outro detalhe que merece atenção. Segundo o PlatôBR, a ausência de Zema não significa desistência da candidatura. A publicação informa que ele decidiu priorizar a participação na sabatina do Jornal Nacional, marcada para esta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro. A estratégia teria levado em conta a logística entre o debate em São Paulo e a preparação para a entrevista na Globo. A decisão é legítima. 

Todo candidato tem direito de escolher onde e como pretende disputar espaço. Mas existe uma diferença entre ter uma estratégia e ter uma estratégia que faça sentido aos olhos do eleitorE talvez seja justamente aí que Zema tenha sido infeliz. Porque uma coisa é escolher a Globo. 

Outra é deixar de participar de um debate presidencial porque outros candidatos decidiram não participar. Amanhã, Zema terá sua oportunidade no Jornal Nacional

A Globo inclusive programou uma série de entrevistas com os presidenciáveis, começando por ele nesta segunda-feira.

 Agora resta saber se a cadeira vazia da Band terá sido uma decisão estratégica brilhante ou apenas uma oportunidade perdida. 

Talvez a resposta não seja tão simples. Lula não foi. Flávio Bolsonaro não foi. Zema não foi.

Cada campanha tem suas razões e seus cálculos. Mas debates eleitorais existem justamente para que candidatos sejam confrontados, questionados e comparados. 

É ali que o eleitor pode observar não apenas o que cada um promete, mas também como reage quando precisa responder ao contraditórioE isso não se substitui completamente por entrevista. 

Zema terá a Globo.

Mas perdeu a Band. 

E, convenhamos, para quem quer chegar ao Palácio do Planalto, talvez seja estranho demais olhar para uma cadeira vazia e pensar: “Bom, já que ninguém sentou, eu também não sento.” Na política, às vezes, quem chega primeiro ao palco fica com o microfoneNeste domingo, o microfone estava ligado. 

Só faltou Zema para segurá-lo, perdendo uma grande oportunidade de ser reconhecido nos demais estados da federação. Estratégia as  partes, ficou feio para o candidato, que nas pesquisas está na faixa de 3%  segundo o Data Folha.




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