"A assessoria do candidato Romeu Zema do Partido NOVO contextualiza que a mudança de data do debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão de 16/08 para 23/08 havia sido considerada sob a premissa e a expectativa de que o candidato Lula fosse participar, garantindo a pluralidade do encontro.
Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial.
Nesse contexto, esta assessoria informa que Romeu Zema também não participará deste debate promovido pela Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão.
O posicionamento do Partido Novo é de oposição ao governo Lula e ao PT, cuja atuação é considerada uma tragédia ao país".
Se Lula não estava, se Flávio Bolsonaro não estava e se o palco tinha espaço para um candidato apresentar suas ideias ao eleitorado, por que deixar a própria cadeira vazia? A impressão que fica é quase aquela velha brincadeira de escola: “Se ele não vai, eu também não vou.” Ou, para usar uma expressão bem brasileira: será que candidato à Presidência precisa ser Maria vai com as outras? O debate teve apenas três participantes: Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. Enquanto isso, os que foram falaram.
A cadeira vazia também faz campanha. No fim, quem perdeu? E os três perceberam rapidamente que as cadeiras vazias poderiam falar mais alto do que qualquer discurso. Caiado criticou os ausentes e defendeu, inclusive, que a presença dos candidatos em debates seja obrigatória.
Renan Santos foi muito mais longe no espetáculo. Levou fraldas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro para ironizar a ausência dos dois. O gesto pode ser considerado exagerado, provocativo ou até infantil, dependendo do gosto do eleitor, mas cumpriu uma função: fez o ausente virar assunto.
E Augusto Cury protagonizou talvez a situação mais curiosa da noite. Inicialmente, ele também ameaçou não participar em protesto contra as ausências de Lula e Flávio. Chegou à Band e anunciou que não entraria. Depois mudou de ideia e participou do debate, alegando respeito ao jornalista Fernando Mitre e à própria oportunidade de discutir o país. Ou seja: Cury quase ficou em casa, mudou de ideia e foi. Zema não foi.
E, ironicamente, Cury acabou ocupando um espaço que poderia ter sido aproveitado por ele. Apesar do festival de púlpitos vazios, houve debate. Caiado apresentou sua experiência administrativa e falou sobre segurança pública, educação e gestão. Renan Santos adotou um discurso mais agressivo, explorando justamente a ausência dos adversários e fazendo críticas duras a Lula e Flávio Bolsonaro.
Cury tentou imprimir um tom diferente, criticando a polarização e defendendo uma abordagem mais técnica para problemas como educação, segurança e políticas sociais. O curioso é que o debate que poderia ter sido dominado pelos candidatos mais conhecidos acabou oferecendo aos três presentes uma vitrine nacional.
E Zema não estava lá para aproveitar a vitrine.
Há ainda outro detalhe que merece atenção. Segundo o PlatôBR, a ausência de Zema não significa desistência da candidatura. A publicação informa que ele decidiu priorizar a participação na sabatina do Jornal Nacional, marcada para esta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro. A estratégia teria levado em conta a logística entre o debate em São Paulo e a preparação para a entrevista na Globo. A decisão é legítima.
Todo candidato tem direito de escolher onde e como pretende disputar espaço. Mas existe uma diferença entre ter uma estratégia e ter uma estratégia que faça sentido aos olhos do eleitor. E talvez seja justamente aí que Zema tenha sido infeliz. Porque uma coisa é escolher a Globo.
Outra é deixar de participar de um debate presidencial porque outros candidatos decidiram não participar. Amanhã, Zema terá sua oportunidade no Jornal Nacional.
A Globo inclusive programou uma série de entrevistas com os presidenciáveis, começando por ele nesta segunda-feira.
Agora resta saber se a cadeira vazia da Band terá sido uma decisão estratégica brilhante ou apenas uma oportunidade perdida.
Talvez a resposta não seja tão simples. Lula não foi. Flávio Bolsonaro não foi. Zema não foi.
Cada campanha tem suas razões e seus cálculos. Mas debates eleitorais existem justamente para que candidatos sejam confrontados, questionados e comparados.
É ali que o eleitor pode observar não apenas o que cada um promete, mas também como reage quando precisa responder ao contraditório. E isso não se substitui completamente por entrevista.
Zema terá a Globo.
Mas perdeu a Band.
E, convenhamos, para quem quer chegar ao Palácio do Planalto, talvez seja estranho demais olhar para uma cadeira vazia e pensar: “Bom, já que ninguém sentou, eu também não sento.” Na política, às vezes, quem chega primeiro ao palco fica com o microfone. Neste domingo, o microfone estava ligado.
Só faltou Zema para segurá-lo, perdendo uma grande oportunidade de ser reconhecido nos demais estados da federação. Estratégia as partes, ficou feio para o candidato, que nas pesquisas está na faixa de 3% segundo o Data Folha.