segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Entre Judas, Barrabás e Jesus, a democracia diante do espelho

 O voto é individual, mas o resultado é coletivo.

“Há sonhos que a vida apenas coloca em pausa. O tempo dirá se ainda haverá uma estrada para reencontrá-los.” 🌿

Por Diana Holanda I Blog Jornalismo Imparcial

O resultado das urnas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 me fez parar e pensar. Não apenas como jornalista, mas como cidadã, estudante de Direito e Gestão Pública, continuo acreditando que educação pode abrir portas que durante muito tempo permaneceram fechadas.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ficou com 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O placar eleitoral é objetivo. O que ele provoca em cada cidadão, entretanto, pertence a um território muito mais complexo: o da memória, das escolhas e das consequências.

Foi impossível, para mim, não voltar mentalmente a Brasília/DF, e a um período em que acompanhei de perto o ambiente político brasileiro no ano de 2019 e vi um capítulo da historia ser gerado, onde futuramente iria ver muitos pessoas anônimas sofrerem com a fome, pois recursos seriam levados para outra pasta. Voltando para 2025, também voltei às salas de aula, aos corredores das universidades e à experiência de tentar cursar Engenharia Agrícola e Ambiental na Federal ao lado da minha filha, onde fui massacrada por mentes medíocres que pensavam diferente de mim. Aos meus 52 anos, acolhimento zero, o machismo prevalecia, mesmo eu sendo capacitada, mas eu não tinha doutorado, e sempre quando eu falava sobre Amazônia, onde nasci e conheço bem a minha região, percebia o deboche do professor quando não tinha argumentos, falar sobre a sua formação disso e daquilo, mas a verdade é que o meu conhecimento de vida, despertava medo naquela mente irrigada de covardia. Em sala de aula sofri discriminação, onde disseminavam ódio, orquestrado por almas tão pequenas, e por último atentaram contra a minha vida, quanta covardia eu passei por sonhar demais na engenharia. Quem se incomodava tanto com a minha personalidade forte, uma mulher com cursos de Geopolítica, preparação de guerra, mais tão feminina? A mediocridade hoje eu sei. E para não adoecer mentalmente, abrir mão do sonho de ser engenheira e colocar em prática o conhecimento na minha terra natal, levar conhecimento ao povo ribeirinho, saudade da  minha querida Amazônia. 

Começamos em uma turma de 48 alunos. Poucos permaneceram. Ali, vi dificuldades que não aparecem nas estatísticas quando observamos apenas o número de vagas oferecidas. Vi falta de acolhimento, dificuldades estruturais, conflitos, bullying, machismo e situações que fizeram estudantes desistirem e o pior partindo de professores que tinham o dever de ajudar.

Por isso, quando se fala em universidade pública, não consigo enxergar apenas números.

Enxergo pessoas.

Enxergo a mulher de hoje, que pode tudo aos 54 anos, que decide voltar a estudar e não ser apenas dona de casa, na tradicional família brasileira.

Enxergo o estudante que veio de uma escola pública, ou que depois de muito tempo, chega à universidade carregando não apenas um diploma em construção, mas a esperança de mudar a própria trajetória.

Enxergo também minha filha, já bacharel em Direito, com quatro pós-graduações, dividindo comigo a experiência de entrar em uma área tradicionalmente associada a uma formação de classe média. É por isso que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, para mim, ultrapassa a disputa entre dois nomes. Ela coloca diante do eleitor dois projetos que precisam ser examinados com atenção.

  Houve um tempo em que mãe e filha sonharam juntas com a Engenharia. 📐🌱 

Entramos naquele caminho com planos, coragem e a certeza de que ainda havia muito chão para conquistar. A vida mudou a rota, mas não apagou o que vivemos nem a força daquele sonho compartilhado. Alguns projetos ficam pelo caminho. Outros apenas esperam o momento certo para ganhar uma nova forma.❤️ O futuro a Deus pertence, O caminho, a gente vai descobrindo enquanto caminha. ❤️...

       

Dois pesos e duas medidas

O programa de Flávio Bolsonaro propõe transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também propõe substituir o atual modelo de financiamento estudantil por um empréstimo contingente à renda e estabelece uma orientação para que Capes e CNPq priorizem impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia.

O programa de Lula, por sua vez, apresenta propostas de expansão dos institutos federais, ampliação de vagas universitárias e políticas de assistência estudantil voltadas à permanência e conclusão dos cursos.

Não cabe ao jornalista substituir o eleitor.

Cabe mostrar o que está sendo proposto.

Cabe perguntar quanto custa.

Cabe perguntar quem será beneficiado.

Cabe perguntar quem poderá ficar de fora.

Cabe acompanhar o que foi prometido e, depois, cobrar o que efetivamente foi realizado.

Judas, Jesus e a escolha por Barrabás

É nesse ponto que penso na velha história bíblica de Jesus e Judas, mas também em uma terceira figura que talvez seja ainda mais provocadora quando pensamos em democracia: Barrabás.

Segundo o relato dos Evangelhos, diante da possibilidade de libertar Jesus ou Barrabás, Pilatos apresentou a escolha à multidão. A multidão pediu a libertação de Barrabás e a crucificação de Jesus.

Séculos depois, a história continua provocando uma pergunta desconfortável: o que leva uma multidão a escolher um caminho quando acredita estar fazendo a escolha certa?

Não estou comparando candidatos brasileiros a personagens bíblicos. A comparação seria simplista e injusta com uma realidade política muito mais complexa.

A reflexão é outra.

Naquele episódio, uma escolha coletiva produziu uma consequência histórica.

Hoje, também fazemos escolhas coletivas diante das urnas.

E talvez o cenário não seja tão distante quanto parece.

Não porque os brasileiros sejam uma multidão manipulável, nem porque determinado candidato represente automaticamente Barrabás ou Jesus. Mas porque a democracia coloca nas mãos da população uma responsabilidade enorme: escolher entre projetos que produzirão consequências reais na vida de milhões de pessoas.

Quando votamos, não escolhemos apenas um rosto estampado na urna.

Escolhemos prioridades.

Escolhemos como o Estado poderá tratar a educação, a ciência, a tecnologia, a saúde, a assistência social, a segurança, o trabalho e tantas outras áreas.

E, muitas vezes, podemos escolher sem conhecer integralmente aquilo que está sendo colocado em jogo.

É aí que a democracia exige mais do cidadão do que simplesmente votar.

Exige informação.

Exige memória.

Exige capacidade de questionar.

Exige coragem para reconhecer quando alguém que admiramos erra e quando alguém de quem discordamos apresenta uma proposta que merece ser considerada.

Jesus não foi traído apenas por Judas.

Na narrativa bíblica, existe também uma multidão diante de uma escolha.

E talvez essa seja a parte mais incômoda da história: a responsabilidade de uma sociedade não desaparece porque a decisão foi coletiva.

A democracia também funciona assim.

O voto é individual, mas o resultado é coletivo.

A escolha brasileira

É por isso que este segundo turno merece ser observado com atenção.

Não como uma batalha entre santos e pecadores.

Não como uma disputa entre o bem absoluto e o mal absoluto.

E tampouco como uma guerra em que o eleitor precisa odiar quem pensa diferente.

Democracia não é isso.

Democracia é poder escolher, inclusive quando a escolha do outro nos incomoda.

Mas liberdade de escolha não elimina responsabilidade.

Se uma proposta pode alterar o financiamento da educação, o funcionamento das universidades, a pesquisa científica ou as políticas sociais, o cidadão tem o direito de perguntar.

E o jornalista tem o dever de perguntar.

Talvez seja essa a grande lição que este segundo turno oferece.

Não precisamos transformar Lula em Jesus.

Nem Flávio em Judas ou Barrabás.

Precisamos fazer algo muito mais difícil: tirar os candidatos do altar e colocá-los diante da Constituição, do orçamento, dos dados e da população.

Porque políticos passam.

Governos passam.

Campanhas acabam.

Mas as consequências das políticas públicas permanecem na vida das pessoas.

Eu continuo acreditando na educação porque experimentei suas portas abertas e também suas portas estreitas.

Continuo acreditando na universidade porque voltei a ser estudante quando muita gente provavelmente imaginaria que eu deveria estar fazendo outra coisa.

E continuo acreditando na democracia porque, mesmo quando o resultado das urnas nos machuca, ainda temos o direito de olhar para o país e perguntar:

Que Brasil queremos construir quando a campanha terminar?

Talvez essa seja a verdadeira prova desta eleição.

Não descobrir quem será tratado como Jesus, Judas ou Barrabás.

Mas descobrir se nós, brasileiros, conseguiremos permanecer cidadãos quando terminar a contagem dos votos.

"A democracia não exige que pensemos igual. Exige que continuemos capazes de pensar".




quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cadetes da AMAN vencem competição internacional com provas de resistência, liderança e tiro

 Cadetes brasileiros e estrangeiros enfrentaram provas de resistência, liderança, tiro e orientação durante a 7ª edição do Desafio Agulhas Negras.

Da redação
Fonte Exército Brasileiro

Resende (RJ) – Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), venceram a 7ª edição do Desafio Agulhas Negras (DAN), competição internacional realizada entre os dias 16 e 18 de setembro. O evento reuniu militares em formação do Brasil e de outros países em uma sequência de provas que ultrapassou 36 horas de atividades.

Participaram delegações de Argentina, Colômbia, Equador, Guiana, Itália, México, Nigéria e Uruguai. As Filipinas participaram como observadoras.

Realizado nas instalações da AMAN, o desafio colocou os participantes diante de situações simuladas que exigiram preparo físico, conhecimento técnico, liderança e capacidade de decisão sob pressão.

Mais de 36 horas de provas

A competição começou às 18h30 do dia 16 de setembro e terminou na manhã do dia 18. Durante o período, as equipes passaram por 15 oficinas e diferentes atividades militares.

Entre as provas estavam marchas de 16 km e 12 km, pistas de liderança, exercícios de tiro, orientação e outras tarefas que exigiram resistência física, concentração, coordenação e trabalho em equipe.

Cada equipe contou com 11 integrantes, sendo nove homens e pelo menos duas mulheres. Outros dois militares, um homem e uma mulher, permaneceram como reservas para eventuais substituições.

Antes do início das provas principais, as delegações participaram de atividades de ambientação, incluindo visitas às instalações da Academia, instruções de nivelamento e uma prova utilizada para definir a ordem de largada.

Competição também reúne militares de diferentes países

Além do caráter competitivo, o Desafio Agulhas Negras reuniu militares em formação de diferentes regiões do mundo.

A presença de delegações das Américas, Europa, África e Ásia permitiu o contato entre cadetes de diferentes escolas e sistemas de formação militar. Para o Exército Brasileiro, atividades desse tipo também fazem parte das ações de cooperação e intercâmbio militar com outros países.

Durante a competição, os participantes precisaram trabalhar em equipe enquanto enfrentavam situações que simulavam condições de emprego operacional.

Resultado

A AMAN terminou a competição com as equipes brasileiras nas primeiras posições. O resultado final foi dividido em três categorias.

Padrão Ouro: AMAN 1, AMAN 2 e México.

Padrão Prata: Argentina, Equador, Colômbia, Itália e Uruguai.

Padrão Bronze: Guiana e Nigéria.


A classificação encerrou a 7ª edição do Desafio Agulhas Negras, que utilizou as instalações e estruturas de treinamento da Academia Militar das Agulhas Negras para reunir cadetes brasileiros e estrangeiros em uma competição voltada à avaliação de preparo físico, capacidade técnica, liderança, tomada de decisão e trabalho coletivo.

O evento também funcionou como oportunidade de intercâmbio entre futuros oficiais de diferentes países, aproximando a formação militar da cooperação internacional mantida entre as instituições participantes. 

Jornalismo comprometido com a informação, os direitos humanos e a defesa da vida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Trump enfrenta reação inédita da imprensa: grandes TVs dos EUA suspendem cobertura presidencial

 CNN, ABC, CBS, NBC e Fox News interrompem sistema de cobertura compartilhada após Casa Branca barrar jornalistas de três veículos


Da redação 

Washington – 21 de setembro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta nesta segunda-feira (21) uma reação coordenada das principais redes de televisão do país depois que a Casa Branca proibiu o acesso de jornalistas da CNN, MS NOW e Politico às instalações presidenciais.

As cinco grandes emissoras que participam do sistema de cobertura televisiva compartilhada da Presidência decidiram não substituir a CNN na escala de transmissão dos eventos de Trump. Com isso, a cobertura em vídeo dos compromissos presidenciais ficou sem o tradicional sistema de TV pool.

A decisão ocorre justamente durante a viagem de Trump a Nova York para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, aumentando a repercussão internacional do episódio.

Como funciona o sistema de cobertura

CNN, ABC, CBS, NBC e Fox News integram um sistema no qual as emissoras se revezam na responsabilidade de produzir imagens e áudio dos eventos presidenciais. O material é compartilhado posteriormente com outros veículos.

Na prática, quando uma das redes está escalada, sua equipe produz a transmissão que pode ser utilizada por diversas organizações jornalísticas. A retirada da CNN da escala criou a necessidade de substituição.

As outras emissoras, porém, decidiram não ocupar a vaga.

Em comunicado conjunto, as cinco redes afirmaram que o público tem interesse em receber informações independentes e que nenhuma administração deveria restringir uma organização jornalística por discordar de sua cobertura.

CNN, MS NOW e Politico vão à Justiça

Enquanto as redes de televisão interromperam a cobertura compartilhada, CNN, MS NOW e Politico ingressaram com uma ação judicial contra Trump e integrantes de sua administração.

Os veículos alegam que a retirada de suas credenciais e a proibição de acesso à Casa Branca violam direitos protegidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que trata da liberdade de expressão e de imprensa.

As empresas pediram à Justiça federal uma decisão urgente para suspender a medida e restabelecer o acesso de seus jornalistas.

Uma audiência está prevista para quarta-feira (23), em Washington.

Trump diz que combate “fake news”

Trump anunciou a proibição na sexta-feira (18), afirmando que os veículos não deveriam continuar publicando o que classificou como informações falsas sobre sua administração.

Nesta segunda-feira, o presidente voltou a defender a decisão em publicação na rede Truth Social. Trump afirmou que a Casa Branca não estaria atacando a imprensa livre, mas combatendo aquilo que classificou como “fake news” e que, segundo ele, representaria uma ameaça à segurança nacional.

A administração Trump sustenta que o direito constitucional de publicar notícias não significa que os veículos tenham direito automático a credenciais ou acesso físico à Casa Branca.

O vice-presidente JD Vance também defendeu a decisão e afirmou que o governo não estaria proibindo os veículos de fazer jornalismo, mas retirando o que considera um acesso privilegiado da imprensa à sede do governo.

Sem substituto para a cobertura em vídeo

A consequência prática da decisão apareceu nesta segunda-feira.

Como não houve substituição da CNN no sistema de TV pool, os eventos presidenciais ficaram sem a tradicional câmera compartilhada das cinco grandes redes.

Durante um evento no gramado da Casa Branca relacionado ao novo heliponto presidencial, a transmissão oficial teve dificuldades para captar claramente o áudio de Trump devido ao ruído de um helicóptero próximo.

A situação também afeta a cobertura da viagem presidencial a Nova York. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, não haverá uma câmera substituta do TV pool acompanhando Trump durante parte dos compromissos relacionados à Assembleia-Geral da ONU. Outros jornalistas continuarão realizando cobertura por diferentes meios.

Um conflito que chega aos tribunais

A disputa coloca em lados opostos duas questões centrais do sistema político norte-americano: o poder da Presidência para estabelecer regras de acesso às suas instalações e a proteção constitucional da liberdade de imprensa.

O caso agora será analisado pela Justiça federal.

O processo foi distribuído ao juiz Timothy Kelly, nomeado por Trump durante seu primeiro mandato. Kelly também analisou, em 2018, uma disputa envolvendo o então correspondente da CNN Jim Acosta e o acesso de jornalistas à Casa Branca.

Até que a Justiça se manifeste, a disputa permanece aberta.

De um lado, a Casa Branca afirma que está exercendo sua autoridade sobre o acesso às instalações presidenciais e combatendo o que considera cobertura jornalística falsa.

Do outro, os veículos atingidos afirmam que a retirada das credenciais ocorreu em razão de suas reportagens e representa uma interferência governamental sobre a imprensa.

O episódio coloca a relação entre Casa Branca, imprensa e liberdade de informação novamente no centro do debate político e jurídico dos Estados Unidos.

A batalha agora será decidida também nos tribunais.

Jornalismo comprometido com a informação, os direitos humanos e a defesa da vida.

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Lula diz que Brasil poderá aplicar Lei da Reciprocidade se negociações com os EUA fracassarem

 Lula afirma que governo seguirá negociando, mas não descarta reação brasileira caso as medidas comerciais norte-americanas permaneçam

Blog Jornalismo Imparcial

Brasília – 21 de setembro de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica caso as negociações comerciais com os Estados Unidos não avancem.

A declaração foi dada durante entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, em Nova York, onde Lula está para participar da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Segundo o presidente, o governo brasileiro pretende continuar negociando enquanto houver espaço para diálogo. Lula afirmou que não pretende iniciar uma guerra tarifária com os Estados Unidos, mas que a legislação brasileira poderá ser utilizada caso não seja alcançado um entendimento.

Brasil mantém negociação com Washington

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos estão sob pressão após a adoção de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as medidas adotadas pelos Estados Unidos em julho de 2026 atingem diferentes grupos de produtos brasileiros, com sobretaxas adicionais de 25% e 12,5%. Em determinados casos, as duas medidas podem ser acumuladas, resultando em uma sobretaxa de 37,5%.

Segundo o MDIC, considerando os dados de comércio de 2024, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estavam sujeitas às novas sobretaxas decorrentes das investigações realizadas pelo governo norte-americano.

O levantamento também aponta que cerca de 52,7% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano permaneciam fora dessas sobretaxas específicas, embora algumas mercadorias estejam sujeitas a outras tarifas previstas na legislação comercial dos Estados Unidos.

O que prevê a reciprocidade

A Lei da Reciprocidade Econômica estabelece mecanismos que podem permitir ao Brasil suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais adotadas por outros países que prejudiquem a competitividade brasileira.

Apesar da possibilidade prevista na legislação, Lula afirmou que não pretende adotá-la enquanto as negociações estiverem em andamento.

“Enquanto estamos na mesa de negociação, eu não tenho que aplicar a Lei da Reciprocidade”, afirmou o presidente durante a entrevista.

Negociações foram retomadas

Brasil e Estados Unidos retomaram o diálogo comercial no final de agosto. Na ocasião, os ministérios brasileiros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que representantes dos dois países discutiriam as novas tarifas e buscariam avançar nas negociações.

O governo brasileiro reafirmou naquele momento que estava disposto ao diálogo, mas também registrou discordância em relação às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.

Impacto sobre o comércio exterior

A disputa ocorre em um momento de redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

De acordo com o MDIC, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

O cenário coloca as negociações comerciais entre Brasília e Washington no centro da agenda econômica e diplomática brasileira nesta semana.

Enquanto o governo brasileiro mantém a possibilidade de utilizar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade, a orientação anunciada pelo presidente é continuar buscando uma solução negociada antes de adotar novas medidas.

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Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro da Polícia Federal por abandono de cargo

 Ex-deputado federal estava nos Estados Unidos e não retornou ao cargo de escrivão após perder o mandato na Câmara

Por Diana Maia I Blog Jornalismo Imparcial 

Brasília – 21 de setembro de 2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou nesta segunda-feira (21) a demissão de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do cargo de escrivão da Polícia Federal. A decisão foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e publicada no Diário Oficial da União.

O desligamento ocorreu após um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pela Polícia Federal para apurar a ausência do ex-deputado. Segundo a decisão administrativa, Eduardo faltou ao serviço sem justificativa por período superior a 30 dias consecutivos, situação caracterizada como abandono de cargo.

Ex-deputado deveria retornar à PF

Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal em 2010, após aprovação em concurso público para o cargo de escrivão. Durante o período em que exerceu mandato parlamentar, ficou afastado das funções policiais.

Após perder o mandato de deputado federal, ele deveria retornar ao cargo que ocupava na corporação, no Rio de Janeiro. Eduardo, porém, permaneceu nos Estados Unidos, onde está desde fevereiro de 2025, e não se reapresentou para o trabalho.

A situação levou à abertura do processo disciplinar. Durante a apuração, a Corregedoria Regional da PF no Rio de Janeiro também determinou a entrega da carteira funcional e da arma de fogo vinculada ao cargo.

Processo foi concluído em julho

A Polícia Federal concluiu o PAD em julho deste ano e encaminhou a decisão ao Ministério da Justiça, responsável pela formalização da demissão.

Na ocasião, a corporação apontou o abandono de cargo como fundamento para a medida. A decisão final foi assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva em 18 de setembro e publicada no DOU nesta segunda-feira.

A demissão ocorre meses depois de Eduardo também ter perdido o mandato de deputado federal por excesso de faltas na Câmara.

A situação envolvendo sua permanência no exterior e o retorno ao serviço público vinha sendo acompanhada pela Polícia Federal desde o início do ano.

A demissão administrativa da PF é uma decisão funcional relacionada ao processo disciplinar. Paralelamente, Eduardo também responde a questões judiciais distintas. Em junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.

A saída de Eduardo dos quadros da Polícia Federal encerra, portanto, seu vínculo funcional com a corporação, após 16 anos de carreira como escrivão.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Exército coordena maior exercício de defesa cibernética do Hemisfério Sul

 Guardião Cibernético 8.0 será realizado de 21 a 25 de setembro, com simulações de ataques contra serviços essenciais e participação de instituições civis e militares

Imagem Comando de Defesa Cibernética

Brasília (DF) – Entre os dias 21 e 25 de setembro de 2026, Brasília será sede da oitava edição do Exercício Guardião Cibernético (EGC 8.0), considerado o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul.

De responsabilidade do Ministério da Defesa e coordenado pelo Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), o exercício contará com a participação da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira.

A atividade foi planejada para reproduzir, em ambientes controlados, situações de ameaças digitais capazes de afetar serviços essenciais e estruturas estratégicas do país. O objetivo é testar a capacidade de prevenção, resposta e recuperação diante de ataques cibernéticos complexos e coordenados.

Simulações envolvem serviços essenciais

Durante o exercício, serão realizadas simulações construtivas e virtuais envolvendo setores considerados fundamentais para o funcionamento da sociedade, entre eles energia elétrica, abastecimento de água, telecomunicações e sistema financeiro.

Na prática, a proposta é verificar como órgãos públicos, empresas e operadores de infraestruturas críticas poderiam atuar diante de uma crise cibernética que comprometesse sistemas essenciais.

Os cenários também permitem avaliar planos de contingência e identificar pontos que precisam ser aprimorados antes que uma situação semelhante ocorra no mundo real.

Mais de 1.300 participantes

De acordo com as informações oficiais do Exército Brasileiro, o Guardião Cibernético 8.0 reunirá mais de 1.300 participantes, cerca de 300 organizações e representantes de 14 países.

A programação promove a integração entre as Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras e operadores de infraestruturas críticas de diferentes setores.

Além das simulações, o exercício contará com palestras e ações educativas abertas ao público, ampliando a discussão sobre segurança cibernética.

Atividades serão realizadas em diferentes regiões

Embora Brasília concentre a estrutura principal do exercício, o Guardião Cibernético terá uma organização descentralizada.

Serão instalados polos simultâneos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Manaus e Belém.

A distribuição das atividades por diferentes regiões reforça a necessidade de integração nacional na proteção de sistemas digitais e de infraestruturas consideradas essenciais para a população.

Defesa cibernética e soberania nacional

A defesa cibernética é um dos três setores estratégicos definidos pela Estratégia Nacional de Defesa (END).

O setor envolve sistemas informatizados utilizados tanto no cotidiano da sociedade quanto em estruturas militares. Isso inclui equipamentos de comunicação, rádios, radares, sistemas de comando e controle, carros de combate e sistemas de defesa antiaérea.

No Brasil, a responsabilidade pela defesa cibernética no âmbito das Forças Armadas está atribuída ao Exército, que criou o Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber).

A estrutura reúne militares das três Forças Armadas que atuam na proteção de sistemas estratégicos e no apoio a outros órgãos governamentais quando necessário.

Uma ameaça digital pode ter efeitos reais

Embora o ambiente cibernético seja virtual, os efeitos de um ataque podem chegar rapidamente à vida cotidiana.

Uma interrupção em sistemas de energia, telecomunicações, abastecimento de água ou serviços financeiros pode provocar consequências econômicas, sociais e até afetar o funcionamento de estruturas essenciais do Estado.

Por isso, o Guardião Cibernético trabalha com situações que permitem às instituições participantes testar procedimentos e buscar respostas coordenadas para diferentes tipos de ameaças.

A integração entre organizações civis e militares também permite compartilhar experiências e desenvolver soluções para reduzir possíveis impactos sociais, ambientais, econômicos, políticos e relacionados à segurança do Estado.

Preparação e integração

Ao reunir instituições públicas, empresas, órgãos reguladores e representantes estrangeiros, o Exercício Guardião Cibernético busca ampliar a capacidade brasileira de prevenção e resposta a incidentes cibernéticos.

Mais do que uma atividade militar, o exercício envolve diferentes setores que dependem de sistemas digitais para manter serviços essenciais em funcionamento.

O EGC 8.0 será realizado de 21 a 25 de setembro de 2026, com Brasília como sede principal e atividades simultâneas em outras seis capitais brasileiras.

Em um cenário no qual cada vez mais serviços dependem de sistemas conectados, a preparação para ameaças cibernéticas passa a fazer parte também da proteção da infraestrutura e da segurança da sociedade.

Fonte: Exército Brasileiro / Comando de Defesa Cibernética.


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Lula visita Montes Claros e coloca o Norte de Minas no centro da agenda nacional

 Presidente conheceu unidade que recebeu R$ 1,8 bilhão em investimentos e participou de ato político na cidade; agenda também foi marcada por anúncios na área da saúde e críticas a adversários

Diana Maia I Gabriel Veritas

Montes Claros (MG) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, nesta quinta-feira (17), em uma agenda que reuniu indústria, saúde pública e política. A visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma colocou novamente a cidade no radar da imprensa nacional e destacou o papel estratégico do município na expansão da indústria farmacêutica brasileira.

Durante a visita, Lula conheceu a linha de produção de embalagens da unidade, que atualmente possui 12 linhas em funcionamento e acondiciona mais de 170 produtos. O complexo foi projetado para ser o maior da Eurofarma e recebeu R$ 1,8 bilhão em investimentos. A empresa prevê ainda a expansão das atividades para a produção de fármacos, conforme a demanda.

Segundo o Ministério da Saúde, a escolha de Montes Claros levou em consideração a localização estratégica da cidade, a facilidade de distribuição para outras regiões do Brasil e para países da América Latina e o potencial do Norte de Minas para se consolidar como polo farmacêutico.

A presença da Eurofarma também foi relacionada ao Sistema Único de Saúde. Entre os medicamentos produzidos pela empresa estão produtos utilizados no tratamento de hipertensão e diabetes e distribuídos pelo Farmácia Popular, além de medicamentos destinados à assistência farmacêutica do SUS.

Saúde e produção nacional

Ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula destacou a relação entre a produção nacional de medicamentos e o fortalecimento do SUS.

Durante a agenda, o presidente também afirmou que as chamadas “canetas emagrecedoras” deverão ser disponibilizadas gratuitamente pelo SUS para pacientes com obesidade, mediante indicação médica. A definição de critérios e do protocolo para utilização ainda deverá ser estabelecida pelo governo.

Discurso também teve críticas a adversários

Depois da agenda institucional na Eurofarma, Lula participou de uma caminhada política em Montes Claros, acompanhado de aliados que disputam cargos nas eleições deste ano.

Em seu discurso, o presidente fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB), além de fazer referências ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula relacionou o debate eleitoral à defesa da soberania nacional e também criticou a aproximação de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump.

O discurso marcou uma mudança de tom em relação à primeira parte da agenda, que teve caráter institucional. A própria programação divulgada para a visita separava a passagem pela Eurofarma, às 16h, do ato político realizado posteriormente.

Montes Claros no radar nacional

A visita aconteceu em um momento de intensa movimentação política em Minas Gerais. Segundo a imprensa nacional, esta foi a terceira passagem de Lula pelo estado durante a atual campanha eleitoral, e Montes Claros foi escolhida para receber tanto uma agenda relacionada à indústria quanto um ato político.

A cidade, considerada a capital regional do Norte de Minas, ganhou destaque justamente pela combinação das duas agendas: de um lado, o investimento privado de grande porte em uma unidade industrial; de outro, a presença do presidente em uma região estratégica para a política mineira.

 

Mais do que uma visita presidencial, a passagem de Lula deixa em evidência uma transformação que vem sendo discutida para o Norte de Minas: a possibilidade de ampliar a participação da região em cadeias industriais de maior valor agregado, especialmente nos setores de saúde, medicamentos, tecnologia e logística.

Para Montes Claros, o investimento da Eurofarma representa a instalação de uma das maiores estruturas industriais da companhia. Para o Norte de Minas, a presença presidencial e a repercussão nacional colocaram novamente a região no centro das discussões sobre desenvolvimento, saúde e geração de empregos qualificados.

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