terça-feira, 8 de setembro de 2026

Segurança de voo reforça controle e precisão em lançamento realizado no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno em Natal /RN

Setor é responsável pelo planejamento de trajetórias e restrição de áreas, contribuindo para o lançamento seguro do VS-30 V16 a partir de Parnamirim (RN)

Imagem Força Aérea Brasileira 

Da redação
jornalismoimparcial@gmail.com

A segurança de voo é uma das etapas fundamentais para o sucesso de operações espaciais realizadas no Brasil. No Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN), equipes especializadas acompanham os procedimentos necessários para garantir que os lançamentos ocorram com precisão, controle e segurança.

Durante uma operação de lançamento, diversos fatores precisam ser monitorados. Entre eles estão a trajetória do veículo, as condições de voo e o cumprimento dos parâmetros previamente estabelecidos para a missão.

Esse acompanhamento permite identificar possíveis alterações durante o voo e, quando necessário, adotar procedimentos para preservar a segurança da operação.

O trabalho envolve profissionais e sistemas especializados, que atuam desde a preparação da missão até o acompanhamento do lançamento. A atividade também contribui para aumentar a confiabilidade dos dados obtidos durante os testes e para o desenvolvimento de novas tecnologias espaciais.

O CLBI possui papel histórico no programa espacial brasileiro. Inaugurado em 1965, o centro foi pioneiro na América do Sul em lançamentos de foguetes de pequeno e médio porte e continua integrado às atividades de ciência, tecnologia e defesa do país.

A segurança de voo, portanto, não é apenas uma etapa operacional. Ela representa uma condição essencial para que cada lançamento seja realizado de maneira controlada e para que os resultados obtidos possam contribuir para o avanço das atividades espaciais brasileiras.



domingo, 30 de agosto de 2026

A lei não é do advogado

 Criminalista explica por que decisões judiciais seguem normas aprovadas pelo Congresso e defende que o debate sobre segurança pública também passe pela qualidade das leis

Arquivo pessoal / advogado criminalista Jefferson Nascimento da Silva

Toda Comunicação

Sempre que um caso criminal de grande repercussão termina com uma absolvição, a revogação de uma prisão ou a anulação de provas, uma frase costuma dominar as redes sociais: "o advogado encontrou uma brecha na lei". Para o advogado criminalista Jefferson Nascimento da Silva, essa percepção não corresponde ao funcionamento do sistema de Justiça. Segundo ele, advogados não criam leis nem concedem benefícios; atuam para que a legislação existente seja corretamente aplicada pelos tribunais.

A discussão ganha importância em um momento em que o Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo. Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) apontam que o país ultrapassa 960 mil pessoas privadas de liberdade, entre presos definitivos e provisórios. Para especialistas, o número evidencia que o debate sobre segurança pública não pode se limitar ao endurecimento das penas, mas deve incluir a qualidade técnica das leis aprovadas pelo Poder Legislativo.

"O advogado não escreve a lei, não aprova a lei e nem decide o processo. Ele apresenta argumentos jurídicos com base na legislação em vigor. Quem julga é o magistrado, que aplica a Constituição, o Código Penal, o Código de Processo Penal e as demais normas aprovadas pelo Congresso Nacional. Quando uma decisão gera indignação, é importante compreender de onde aquela regra surgiu", afirma Jefferson.

O criminalista observa que muitas normas que hoje geram debates foram aprovadas pelos representantes eleitos pela própria sociedade. Por isso, segundo ele, a discussão sobre segurança pública também passa pelo processo legislativo. "Quando as pessoas dizem que determinada lei favorece criminosos ou dificulta investigações, é preciso lembrar que essas normas foram elaboradas pelo Legislativo. O advogado apenas utiliza os instrumentos jurídicos que o próprio ordenamento oferece", explica.

Jefferson cita como exemplo dispositivos recentemente inseridos na legislação penal que já despertam discussões entre juristas por sua possível incompatibilidade com princípios constitucionais. Entre eles, estão regras relacionadas à punição de atos preparatórios, hipóteses de prisão preventiva e alterações envolvendo direitos políticos de pessoas privadas de liberdade sem condenação definitiva. Segundo ele, sempre que uma lei apresenta conflito com a Constituição, caberá ao Poder Judiciário realizar o controle de constitucionalidade.

"O problema não está em a defesa questionar uma norma. Esse é justamente um dos pilares do Estado Democrático de Direito. O que precisa ser discutido é a qualidade técnica das leis que chegam ao ordenamento jurídico. Uma legislação mal redigida pode gerar insegurança jurídica, aumentar o número de recursos e, em alguns casos, produzir exatamente o efeito contrário ao que pretendia alcançar", destaca.

Na avaliação do advogado, o debate público costuma concentrar críticas sobre quem atua no processo, quando deveria dedicar maior atenção ao processo de elaboração das leis. "Toda legislação penal interfere diretamente na liberdade das pessoas. Por isso, precisa ser construída com técnica, equilíbrio e respeito à Constituição. Quanto melhor for a qualidade da lei, maior será a segurança jurídica para toda a sociedade, independentemente de quem esteja sendo julgado", afirma.

Para Jefferson, compreender como funciona o sistema de Justiça é essencial para fortalecer o Estado de Direito. "O advogado exerce uma função prevista na Constituição e indispensável à administração da Justiça. Defender a correta aplicação da lei não significa criar privilégios ou buscar impunidade. Significa garantir que as decisões judiciais sejam tomadas dentro das regras estabelecidas pelo próprio ordenamento jurídico. Quando a sociedade entende essa diferença, o debate sobre segurança pública se torna mais qualificado e produtivo", conclui.

Serviço: Jefferson Nascimento da Silva
Advogado Criminalista, OAB/PR 86.750
(41) 98400-6686
@jeeffeh
jeffe.adv@gmail.com
https://advjeffersonsilva.com.br
Rua Conselheiro Laurindo, 600 - sala 1006/1007, Centro, Curitiba/PR.


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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Exército Brasileiro assina contrato para aquisição de viaturas blindadas Centauro II BR

Acordo integra o Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas e prevê lote destinado à experimentação doutrinária da nova viatura de combate de cavalaria


Diana Maia I Blog Jornalismo Imparcial

Brasília/ DF_ O Exército Brasileiro e a empresa CIO (Consórcio IVECO – Oto Melara) realizam, no dia 31 de agosto de 2026, a assinatura do contrato para aquisição do Lote de Experimentação Doutrinária (LED) da Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav) Centauro II BR. A cerimônia ocorrerá às 14h, no Salão de Honra do Comando Logístico (COLOG), no Quartel-General do Exército, em Brasília.

A contratação está inserida no Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas, iniciativa voltada à modernização e ao fortalecimento das capacidades da Força Terrestre. O Centauro II BR é uma viatura blindada de combate sobre rodas, com configuração 8x8, desenvolvida para operações de elevada mobilidade e capacidade de emprego em diferentes cenários.

Um dos principais elementos do sistema é o canhão de 120 milímetros, que proporciona elevado poder de fogo e amplia a capacidade das tropas de cavalaria mecanizada em operações de combate. A combinação entre mobilidade, proteção e poder de fogo representa um dos eixos centrais do processo de modernização das forças blindadas brasileiras.

Mais do que a aquisição de uma nova plataforma de combate, o contrato também possui importância estratégica para a Base Industrial de Defesa (BID). A parceria com o consórcio formado pela IVECO e pela Oto Melara envolve perspectivas de cooperação internacional, transferência de tecnologia, produção nacional e nacionalização de componentes.

Esse processo pode contribuir para ampliar a participação da indústria brasileira no desenvolvimento e na manutenção de sistemas de defesa de maior complexidade tecnológica, além de favorecer a formação de conhecimento especializado e a geração de capacidades industriais consideradas estratégicas para o país.

A adoção do Centauro II BR representa, portanto, uma etapa relevante na transformação das unidades de cavalaria mecanizada do Exército Brasileiro. A nova viatura reúne características destinadas a proporcionar maior mobilidade, proteção e poder de fogo, elementos fundamentais para o emprego de tropas blindadas e mecanizadas em operações militares.

A assinatura do contrato também se insere em um contexto mais amplo de atualização dos meios empregados pela Força Terrestre, buscando adequar suas capacidades às demandas atuais de defesa e ampliar sua prontidão operacional.

Para o Exército Brasileiro, o fortalecimento das capacidades de suas tropas mecanizadas está diretamente relacionado à necessidade de manter uma Força Terrestre moderna, tecnologicamente atualizada e preparada para atuar na defesa do território nacional e dos interesses estratégicos do Brasil.

 

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PCMG investiga homicídio de jovem encontrada em quintal de casa em Januária

 Vítima apresentava ferimentos na cabeça; investigadores analisam histórico de ameaças anteriores e imagens de câmeras de segurança.

Imagem criada por  Inteligência Artificial /Blog Jornalismo Imparcial

Diana Maia
jornalismoimparcial@gmail.com

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga o homicídio de uma jovem de 18 anos, encontrada sem vida nos fundos de uma residência no município de Januária, no Norte de Minas. A informação foi repassada a imprensa nesta sexta-feira 28 de agosto.

A vítima foi localizada caída no chão, próxima a uma árvore, com lesões visíveis na região da cabeça. A Perícia Técnica esteve no local para colher evidências que ajudem a identificar os autores e a esclarecer a dinâmica da morte. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Januária para exames necroscópicos.

Durante as primeiras apurações, os investigadores identificaram um Registro de Evento de Defesa Social (Reds), datado de 24 de julho deste ano, que aponta um histórico de conflito envolvendo a jovem e a atual companheira do seu ex-padrasto. Na ocasião, segundo o boletim, a jovem e a irmã teriam sido agredidas e ameaçadas de morte.

Imagens de câmeras de segurança do entorno já foram recolhidas e estão sob análise. A Polícia Civil segue com o trabalho de campo e a oitiva de testemunhas para determinar a motivação do crime e verificar o envolvimento de suspeitos.

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"Pipas causam 1.260 ocorrências e deixam mais de 313 mil clientes sem energia em Minas”

Imagens Cemig

Pipa presa à rede elétrica aumenta o risco de acidentes e pode provocar interrupções no fornecimento de energia.

Da redação do Blog Jornalismo Imparcial

Entre janeiro e junho de 2026, ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica afetaram consumidores em todo o estado; no Norte de Minas, foram 57 registros e mais de 9,2 mil clientes impactados

Empinar pipas próximo à rede elétrica continua sendo um problema para o fornecimento de energia em Minas Gerais. Dados da Cemig mostram que, entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 1.260 ocorrências provocadas por pipas, responsáveis pela interrupção do fornecimento para 313.224 clientes em toda a área de concessão da companhia.

No Norte de Minas, a situação também chama atenção. Somente nos seis primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 57 ocorrências, que afetaram mais de 9,2 mil consumidores. Em todo o ano de 2025, a região havia registrado 205 incidentes, com mais de 54 mil clientes prejudicados.

Os números reforçam o alerta para os riscos de empinar pipas nas proximidades da rede elétrica, especialmente durante o período de férias escolares e em dias de ventos mais intensos.

Segundo o engenheiro do Centro de Operações da Cemig, Jorge Magno, grande parte dos acidentes poderia ser evitada com medidas simples de prevenção.

“As pipas fazem parte da cultura e das brincadeiras de muitas crianças e adultos, mas precisam ser empinadas em locais abertos, longe da rede elétrica. Quando a linha entra em contato com os cabos de energia, pode provocar curtos-circuitos, desligamentos automáticos do sistema e até acidentes graves, colocando em risco quem está brincando e também outras pessoas”, explica.

Cerol e linha chilena ampliam o perigo

Além dos impactos no fornecimento de energia, a utilização de cerol e linha chilena aumenta o risco de acidentes. Quando esses materiais entram em contato com a rede elétrica, podem provocar curtos-circuitos, rompimento de cabos e danos aos equipamentos.


Os problemas podem atingir não apenas os consumidores diretamente envolvidos na ocorrência, mas também serviços essenciais, como hospitais, sistemas de abastecimento de água, semáforos e escolas.

A Cemig orienta que as pipas sejam empinadas somente em locais abertos e afastados da rede elétrica. A companhia também alerta que nunca se deve tentar retirar pipas presas em postes, fios ou outros equipamentos da rede, devido ao risco de choque elétrico e acidentes fatais.

Em Minas Gerais, a utilização e a comercialização de cerol e linha chilena são proibidas pela Lei Estadual nº 23.515/2019. A legislação estabelece multas para quem descumprir as regras, com valores que podem ser ampliados em caso de reincidência.

De acordo com Jorge Magno, esses materiais aumentam ainda mais a possibilidade de acidentes.

“O uso de cerol e linha chilena potencializa o risco de acidentes. Além de causar interrupções no fornecimento de energia, esses materiais colocam em risco ciclistas, motociclistas, pedestres e os próprios usuários. É uma prática que deve ser evitada em qualquer situação”, destaca.

Divulgação/Cemig

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Crédito das fotos: Divulgação/Cemig

Legenda: Entre janeiro e junho de 2026, ocorrências provocadas por pipas na rede elétrica afetaram 313.224 clientes da Cemig em Minas Gerais

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Militares concluem treinamento de caçador na Amazônia Oriental

 Capacitação realizada em Marabá, no Pará, reuniu 13 militares e reforçou técnicas de tiro, observação e atuação em ambiente de selva

Fotos: 52º Batalhão de Infantaria de Selva


Marabá (PA) – Durante duas semanas, 13 militares participaram de um treinamento especializado realizado pelo 52º Batalhão de Infantaria de Selva (52º BIS), em Marabá, no Pará. 

O chamado Estágio de Caçador de Corpo de Tropa teve como objetivo preparar os militares para atuar com maior precisão e capacidade de observação em diferentes missões realizadas em áreas de selva. 

Durante o treinamento, os participantes passaram por atividades práticas e teóricas envolvendo técnicas de tiro, regulagem do armamento, observação, memorização, identificação de informações no terreno e avaliação de distâncias

A rotina exigiu concentração, disciplina e preparo físico, além da capacidade de tomar decisões e trabalhar com precisão em situações que simulam as exigências encontradas durante operações militares. 


Treinamento também prepara multiplicadores 

Ao final do estágio, os 13 militares concluíram a formação e estão habilitados a aplicar os conhecimentos adquiridos em suas respectivas unidades. 

Eles também poderão repassar o que aprenderam a outros militares, ajudando a ampliar a preparação das tropas que atuam na Amazônia Oriental. 

Segundo o Exército Brasileiro, a capacitação contribui para melhorar a preparação das unidades militares para as diferentes missões realizadas em ambiente de selva. 

O treinamento foi conduzido pelo 52º Batalhão de Infantaria de Selva, unidade responsável pela formação realizada em Marabá. 

Fonte: Exército Brasileiro



Estados Unidos e China disputam espaço na América do Sul. E o Brasil está no meio do jogo

 Comércio, tecnologia, portos e minerais colocam a região no centro da disputa entre as duas maiores potências do planeta

Por Diana Maia I Blog Jornalismo Imparcial
Edição: Gabriel Veritas

Durante muito tempo, a América do Sul foi tratada pelas grandes potências como uma região distante dos principais conflitos do mundo. Esse cenário mudou.

Hoje, Estados Unidos e China disputam influência no continente. Mas não se trata, necessariamente, de uma guerra com soldados ou tanques. A batalha acontece por meio do comércio, dos investimentos, da tecnologia, dos portos, das minas e das relações diplomáticas.

E o Brasil está no centro desse tabuleiro.

A razão é simples: a América do Sul tem aquilo que o mundo precisa. Alimentos, petróleo, água, energia, minérios estratégicos, terras raras, lítio, cobre, biodiversidade e uma posição importante nas rotas comerciais.

O continente que durante décadas foi visto apenas como fornecedor de matérias-primas agora passou a ser uma peça valiosa na disputa pelo futuro da economia e da tecnologia mundial.

Nesse cenário de crescente tensão internacional, a diplomacia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se mostrado um ativo importante para o Brasil. Enquanto os Estados Unidos endurecem posições e acumulam atritos com diferentes países, o governo brasileiro tem buscado defender seus interesses sem abrir mão do diálogo, mantendo canais de negociação tanto com Washington quanto com Pequim. Essa capacidade de conversar com lados diferentes, sem submissão automática a uma única potência, fortalece a posição brasileira e pode representar uma vantagem estratégica em um mundo cada vez mais dividido.

A China chegou e se tornou gigante

A presença chinesa na América do Sul cresceu de forma acelerada nas últimas décadas. A China se tornou o principal parceiro comercial de vários países sul-americanos e investiu em áreas estratégicas, como infraestrutura, energia, mineração e tecnologia.

Portos, ferrovias, projetos de energia e empresas de tecnologia passaram a fazer parte dessa relação.

A influência chinesa também aparece em setores que vão muito além da compra de soja, carne ou minério. A disputa agora envolve infraestrutura digital, inteligência artificial, telecomunicações e cadeias de produção consideradas essenciais para o futuro.

Em 2026, uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que, em vários países latino-americanos pesquisados, a imagem da China já é mais favorável do que a dos Estados Unidos. No Brasil e na Colômbia, as avaliações sobre os dois países ficaram bastante próximas.

Os Estados Unidos não querem perder espaço

Washington, por sua vez, acompanha o avanço chinês com preocupação.

Para os Estados Unidos, a presença de empresas e investimentos chineses em setores estratégicos da América Latina deixou de ser apenas uma questão comercial. Portos, redes de comunicação, minerais críticos e infraestrutura passaram a ser vistos também como assuntos de segurança nacional.

A disputa ficou evidente em episódios envolvendo o Canal do Panamá, investimentos em portos e até projetos de infraestrutura digital na América Latina. Os Estados Unidos também vêm buscando ampliar acordos com países da região para garantir acesso a minerais considerados fundamentais para a indústria, a tecnologia, a energia e a defesa.

Em outras palavras: quando uma potência investe em um porto ou em uma mina, a discussão pode parecer apenas econômica. Mas, nos bastidores, há uma pergunta maior: quem terá influência sobre os recursos e as rotas estratégicas do futuro?

O tesouro escondido debaixo da terra

Uma das maiores disputas envolve os chamados minerais críticos.

Lítio, cobre, terras raras, grafite e outros minerais são fundamentais para baterias, carros elétricos, celulares, computadores, sistemas de inteligência artificial, equipamentos militares e tecnologias espaciais.

A América Latina possui reservas importantes de vários desses recursos. Brasil, Argentina, Chile e Peru aparecem como países especialmente relevantes nesse cenário.

O Brasil ganhou ainda mais atenção por suas reservas de terras raras. Recentemente, investimentos estrangeiros no setor aumentaram, impulsionados pelo interesse de países que querem reduzir sua dependência da China. Ao mesmo tempo, cresce no Brasil o debate sobre soberania mineral, transferência de tecnologia e processamento dos recursos dentro do próprio país, em vez de simplesmente exportar matéria-prima.

Essa é uma questão decisiva.

Não basta possuir o minério. Um país que apenas retira e exporta matéria-prima pode continuar dependente de outros países para produzir baterias, equipamentos, tecnologias e produtos de alto valor.

O Brasil tenta conversar com os dois lados

Em meio a essa disputa, o Brasil tenta seguir um caminho próprio.

O país mantém relações comerciais e investimentos importantes com a China, ao mesmo tempo em que preserva vínculos econômicos, tecnológicos e políticos com os Estados Unidos.

Essa estratégia ficou clara recentemente na área de inteligência artificial. O Brasil anunciou investimentos em projetos de supercomputação que envolvem, de um lado, empresas chinesas e, de outro, tecnologia norte-americana. A mensagem é clara: o país busca ampliar sua capacidade tecnológica sem depender exclusivamente de uma única potência.

Essa posição é conhecida, na prática, como busca por autonomia estratégica.

Traduzindo para uma linguagem mais simples: o Brasil não quer ser obrigado a escolher um lado e pretende negociar com quem for mais vantajoso para os interesses nacionais.

Mas existe um risco

A disputa entre Estados Unidos e China também pode representar um problema para a América do Sul.

Se os países da região agirem apenas como fornecedores de recursos naturais e consumidores de produtos estrangeiros, poderão assistir à disputa entre as potências sem conquistar benefícios reais para suas próprias populações.

O risco é trocar uma dependência por outra.

Por isso, especialistas e governos discutem cada vez mais a necessidade de exigir investimentos que gerem empregos, transferência de tecnologia, desenvolvimento industrial e proteção da soberania nacional.

A América do Sul não precisa ser apenas o lugar onde as grandes potências buscam alimentos, petróleo e minerais.

Ela pode decidir o que fazer com seus próprios recursos.

O recado está dado

A disputa entre Estados Unidos e China não é uma história distante que acontece apenas em Washington ou Pequim.

Ela já chegou à América do Sul.

Está nos portos, nas minas, nas empresas de tecnologia, nas redes de comunicação, nos acordos comerciais e nas negociações diplomáticas.

O Brasil, por seu tamanho, economia e riqueza natural, ocupa uma posição especial nesse jogo.

A grande questão será saber se o país conseguirá transformar esse interesse internacional em desenvolvimento, tecnologia e soberania.

Porque, no tabuleiro da geopolítica, quem possui recursos é importante. Mas quem sabe negociar seus recursos pode se tornar ainda mais importante.



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