sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Lei Maria da Penha completa 20 anos e reforça que violência contra a mulher não é assunto privado, mas violação de direitos humanos

A (Lei nº 11.340/2006) Maria da Penha, foi sancionada  em 7 de agosto de 2006 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a legislação nasceu para romper uma cultura histórica que tratava agressões contra mulheres como conflitos familiares ou questões privadas.

Por Diana Holanda Maia | Gabriel Veritas 
Blog Jornalismo Imparcial 
jornalismoimparcial@gmail.com

Nesta sexta-feira  7 de agosto de 2026, o Brasil marca os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), considerada o principal marco legal de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no país. Foi sancionada em 7 de agosto de 2006 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a legislação nasceu para romper uma cultura histórica que tratava agressões contra mulheres como conflitos familiares ou questões privadas.

Duas décadas depois, a lei continua sendo símbolo de resistência, proteção e reconhecimento de que violência contra a mulher é violação de direitos humanos e responsabilidade do Estado brasileiro. 

O próprio texto legal assegura às mulheres o direito à vida, à segurança, à dignidade, ao respeito e ao acesso à justiça. A norma também determina que casos de violência doméstica sejam investigados por meio de inquérito policial, afastando a ideia de que se tratam de infrações de menor relevância.

Segundo o Governo Federal, a data integra a campanha Agosto Lilás, instituída nacionalmente para conscientização e enfrentamento da violência contra as mulheres. O Ministério das Mulheres destaca que a Lei Maria da Penha permanece como o principal instrumento de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores no Brasil. 

A legislação também ganhou reconhecimento internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU) a considera uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres, pela combinação de medidas protetivas, prevenção, assistência às vítimas e punição aos agressores.

Avanço histórico, mas violência segue crescendo

Apesar dos avanços institucionais, os números mais recentes mostram que o Brasil ainda enfrenta um cenário alarmante de violência de gênero. Dados da 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que os feminicídios aumentaram 1,9% em 2024, mesmo com a redução geral das mortes violentas no país. Foram 1.492 mulheres assassinadas por razões de gênero, o equivalente a quatro feminicídios por dia.

O mesmo levantamento aponta crescimento em outras formas de violência contra a mulher, incluindo tentativas de feminicídio, perseguição (stalking), violência doméstica e violência sexual. 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirma que todas as modalidades de violência contra mulheres apresentaram alta, com recordes históricos de estupro e estupro de vulnerável.

Os dados mais recentes divulgados em 2026 indicam que o problema continua avançando. O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, um aumento de 4,7% em relação a 2024, configurando o maior número desde que o crime passou a ser tipificado em 2015. Desde então, mais de 13,7 mil mulheres foram mortas no país apenas por serem mulheres.

Especialistas alertam que os homicídios são apenas a face mais extrema de um ciclo que frequentemente começa com ameaças, humilhações, controle financeiro, violência psicológica e agressões físicas. O crescimento das denúncias pode indicar maior confiança das vítimas na rede de proteção, mas também evidencia que a violência permanece disseminada em diferentes regiões do país. A lei mudou a forma como o Brasil enxerga a violência doméstica.

Antes de 2006, muitos casos terminavam em punições leves, como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários. A Lei Maria da Penha trouxe mudanças profundas, entre elas:

  • medidas protetivas de urgência;
  • afastamento imediato do agressor do lar;
  • proibição de contato com a vítima;
  • criação de juizados especializados;
  • atendimento integrado com polícia, Ministério Público, Defensoria e assistência social;
  • reconhecimento das violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A legislação recebeu o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica cearense que ficou paraplégica após sofrer duas tentativas de assassinato praticadas pelo então marido. A demora do Estado brasileiro em responsabilizar o agressor levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, tornando-se um marco internacional na defesa dos direitos das mulheres. 

Principais canais de denúncia e ajuda

Mulheres em situação de violência, familiares, vizinhos ou qualquer cidadão podem denunciar de forma gratuita e sigilosa:

📞 Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher

  • Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana;
  • Atendimento gratuito em todo o território nacional;
  • Recebe denúncias, orienta vítimas e encaminha para a rede de proteção local.

🚔 Polícia Militar – 190

  • Para situações de emergência ou risco imediato.

👮 Polícia Civil – 197

  • Informações e denúncias relacionadas a crimes e violência doméstica.

⚖️ Ministério Público e Defensoria Pública

  • Apoio jurídico, solicitação de medidas protetivas e acompanhamento dos casos.

📱 Aplicativos e delegacias especializadas

Em diversos estados brasileiros já existem Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), além de aplicativos para pedido de socorro e acompanhamento de medidas protetivas.

Jornalismo comprometido com a informação, os direitos humanos e a defesa da vida.



Nenhum comentário:

Postagem em destaque

Pessoas vulneráveis merecem proteção: um alerta sobre violência sexual em consultórios e clínicas

"Ela procurou atendimento e encontrou violência. Teve coragem de denunciar, mas a justiça caminha devagar, e o agressor permanece livre...

Postagens mais visitadas

"Tudo posso Naquele que me fortalece"

"Tudo posso Naquele que me fortalece"
Deus no Comando!

"Siga-me, os que forem brasileiros".

"Siga-me, os que forem brasileiros".


" Quando uma Mulher descobre o tamanho da força que guarda dentro de si, nada é capaz de pará-la"

Obrigada pela sua visita!

Obrigada pela sua visita!
A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo.