quinta-feira, 26 de maio de 2016

ESCRITORA, JORNALISTA, ANTROPÓLOGA DISCUTE SOBRE DIFERENTES MODELOS DE RELACIONAMENTOS CONJUGAIS EM MONTES CLAROS.

Esta semana, a conceituada Jornalista, antropóloga e escritora Maria Silvério, veio a Montes Claros para ministrar aula aberta no projeto Olhar, Imaginar, Agir, do departamento de Ciências Sociais da Unimontes. O tema “Eu, Tu…Eles, Relações Amorosas Abertas Não-Consensuais”, foi discutido no no úlitmo dia  24 de maio, às 18h30, na sala 117 da Universidade Estadual de Montes Claros. 
Maria é autora do livro “Swing: Eu, Tu… Eles” que aborda diversos modelos de relacionamentos conjugais presentes nas sociedades ocidentais.
 
Em entrevista ao Blog Jornalismo Imparcial, Mária Silvério,  falou de forma descontraída, sobre a sexualidade do  universo   masculino e feminino,  adeptos ao Swing, acerca de valores e modelos conjugais, sexuais, baseado em trabalho de campo realizado em um clube de swing em Portugal e entrevistas com casais adeptos da prática. 
* Tudo que você sempre quis saber e não teve coragem de perguntar, sobre Swing, você confere lendo, a entrevista com a jornalista, escritora e antropóloga Mária Silvério.

- Por que os casais buscam essa alternativa?
O motivo mais destacado em diferentes estudos para o envolvimento com o swing é a variedade de experiências e de parceiros sexuais que a prática proporciona. Outra razão encontrada é a busca por prazer e excitação. Um terceiro motivo bastante alegado é a possibilidade de conhecer pessoas novas e ampliar o círculo social do casal. A iniciativa é quse sempre do homem e o processo de negociação é demorado. Alguns casais chegam a ficar um ano amadurecendo a idéia. De fato, não é algo que surge a ideia hoje e, amanhã, o casal já vai para uma casa de swing. É preciso conversar bastante antes, demonstrar os medos, anseios, desejos e vontades de cada um. O casal que vai para o swing sem estar preparado corre o risco de arruinar a relação. Além disso, é comum os casais frequentarem várias festas e não se envolverem com ninguém até ficarem mais à vontade. No livro, por exemplo, entrevisto um casal que frequenta o meio há três anos, já visitou casas em vários países da Europa e resorts específcios no Caribe e nunca se envolveu com outras pessoas porque a esposa ainda não se sente preparada. Mesmo assim, eles gostam de frequentar este
unvierso porque a excitação do ambiente faz com que eles tenham uma noite de amor maravilhosa quando chegam em casa! 

- Como fica a dinâmica do casal depois de passar por uma experiência dessas ou realmente aderir ao movimento? Ou seja, não é preciso preparo emocional para lidar com ciúmes, com a ideia de “traição” etc?
Sim, claro! É preciso muita preparação emocional individual e do casal. Como disse antes, é uma decisão que tem que ser bastante refletida e pensada. Mesmo depois de entrar para este universo, o casal continua se adaptando, moldando e transformando a relação conforme as experiências vividas. A questão do ciúmes, por exemplo, é um processo trabalhado aos poucos pelo casal. Muitos, inclusive, afirmam que transformam o ciúmes em fonte de excitação e prazer, em um sentimento que aumenta ainda mais o desejo pelo parceiro. Além disso, os casais estabelecem as suas regras internas e deixam claro o que pode e o que não pode, o que será permitido naquele encontro, etc. / (Livro pg, 199): “Todos os informantes deste livro destacam que é crucial para um casal swinger ter abertura para conversar sobre diversos tipos de assunto, sem medos ou tabus. (...)
Durante as entrevistas, observei que o intenso diálogo entre os casais swingers inclui a abordagem de experiências, inclusive sexuais, vivenciadas com antigos parceiros. Com frequência, enquanto um membro do casal relatava algum acontecimento do casamento anterior, o companheiro interrompia para acrescentar alguma informação. É notório que os informantes conhecem em detalhes a vida do parceiro.
Todos destacam que os dois pilares fulcrais de uma relação amorosa são a confiança e o respeito. Aparentemente isso é conquistado através do compartilhamento de frustrações, angústias, alegrias, tristezas e experiências negativas ou positivas.”

- Para desmistificar isso, queria que você contasse qual o perfil do público frequentador.
(Livro, pgs 87 e 88-89): “Estudos realizados até a década de 1990 indicam tratar-se de pessoas brancas, casadas, de classes média e média-alta, com nível de instrução e salarial elevado, posições profissionais estáveis ou em cargos de gerência . Os dados mais divergentes dizem respeito à faixa etária, mas podemos concluir que trata-se sobretudo de casais maduros, com mulheres acima dos 30 e homens acima dos 35 anos. (...) Ainda assim, a comunidade swinger é mais heterogênea atualmente do que há algumas décadas. Hoje em dia ela abrange pessoas de classes sociais, níveis educacionais e profissionais menos favorecidos, além de jovens na faixa dos 20 anos. Podemos dizer, portanto, que o zelo dos swingers com sua identidade é fundamentado na preocupação em proteger sua reputação, carreira, laços familiares e de amizade. Quanto mais elevada a posição social de uma pessoa, maior é o risco de sua imagem ser destruída se associada à uma prática marginalizada.” – É preciso deixar claro que os casais swingers são estáveis e possuem uma relação forte e estabelecida, ao contrário do que muita gente imagina. Outra característica é que a maior parte dos swingers tem filhos.

- Existe um baita preconceito com relação a quem frequenta clubes de swing, não?
Nitidamente. Esta é uma das razões principais para a prática ainda acontecer às escondidas. As pessoas têm medo de serem discriminadas pelos familiares, amigos e colegas de trabalho. A nossa sociedade ainda não compreende esta prática. O fato de não enquadrarem-se nos padrões sexuais e matrimoniais das sociedades ocidentais faz com que os swingers sejam normalmente considerados desviantes. 

   Por que você se interessou pelo universo da troca de casais?
Desde adolesce-nte, sempre questionei determinados padrões de comportamentos considerados tipicamente femininos ou tipicamente masculinos. O debate acerca das desigualdades de gênero sempre fez parte do meu universo e a área da sexualidade é uma das quais podemos perceber com bastante ênfase as diferenças socioculturais entre homens e mulheres. Para além disso, sempre observei com muita atenção a maneira quase antagônica com que homens e mulheres vivenciam e criam expectativas acerca de suas relações íntimas. Portanto, a ideia era reunir em um único tema de estudo e pesquisa essas três temáticas: relações de gênero, sexualidade e relações conjugais. Na minha opinião, uma das funções da academia é expandir conhecimento e levar para o grande público o resultado das pesquisas realizadas. É exatamente isso que faço no meu livro. Apesar de ser oriundo de
uma investigação de mestrado e, portanto, ter reflexões e análises profundas sobre valores e modelos socioculturais das sociedades ocidentais, utilizo a minha formação como jornalista para escrever de forma clara, objetiva, leve e acessível a qualquer pessoa que tenha interesse pelas temáticas. Além diso, não existe em Portugal ninguém das ciências sociais com o mesmo tema de estudo. No Brasil, ainda são poucas as pesquisas. -Quanto tempo durou a sua pesquisa, quantas pessoas entrevistou e quantos lugares visitou?
(Livro, pgs 10 e 11): “Este livro é o resultado de dois anos e meio de pesquisa bibliográfica sobre as temáticas abordadas, trabalho de campo realizado em clubes de swing e entrevistas com seis casais portugueses adeptos da prática. Ao todo, frequentei 14 festas swingers em uma sauna de Lisboa (março de 2012); em um clube no Rio de Janeiro (setembro de 2012); e um clube na região de Lisboa (outubro e novembro de 2012 e fevereiro 2013). As entrevistas foram gravadas com aparelho de áudio e aconteceram entre os meses de janeiro e março de 2013. Cada uma teve duração aproximada de duas horas.
O primeiro critério utilizado para a seleção dos casais informantes foi a disposição dos mesmos em participar da pesquisa. É importante ter consciência que muitas pessoas que fazem parte de grupos socialmente marginalizados não sentem-se à vontade para abordar determinados aspectos de suas vidas. No meu caso, encontrei poucas resistências e a maioria dos swingers mostrou-se disposta a participar da pesquisa. Para preservar a identidade dos informantes, os nomes utilizados neste livro são fictícios e foram escolhidos aleatoriamente. (…)

Foi dada preferência a casais mais velhos que estão juntos há vários anos e, portanto, vivenciaram um longo período de conjugalidade monogâmica antes de entrar para o swing. Por fim, foram escolhidos dois casais mais jovens de forma a propiciar uma reflexão acerca de diferenças e semelhanças nos valores e expectativas conjugais, sexuais e papéis de gênero conforme diferentes gerações.”

Você era ou virou adepta? Como se sentiu ao entrar em contato com essas pessoas?
(Livro, pg 15): “O swing é uma daquelas práticas sociais que muita gente já ouviu falar, mas não sabe definir exatamente o que é ou como funciona. Há, ainda, aqueles que só conhecem o estilo musical dançante que estorou nos Estados Unidos na década de 1930. Como toda prática relativamente obscura, é rodeada de representações e mistérios. Em se tratando de sexo, essas representações muitas vezes assumem o caráter de preconceito e aversão, fazendo com que o swing seja facilmente imaginado como uma orgia em que a desordem e a falta de respeito são os personagens principais.
O pouco que sabia sobre este universo era através de matérias de jornal, televisão e algumas cenas de filme. Não conhecia ninguém que assumia-se como swinger e nunca tinha ido a um local exclusivo para a prática. No meu caso, no entanto, o desconhecimento não era sustentado por pré-julgamentos, mas pelo desejo sincero de conhecer o swing pelo olhar dos praticantes.” – Neste sentido, estava de coração e mente abertas. Enquanto ser humano, jornalista e, sobretudo, antropóloga, procuro não julgar os outros antes de compreender bem o seu universo e seus pontos de vista. A diversidade é uma das coisas mais valiosas que temos! Durante o trabalho de campo, observei a aproximação, o envolvimento e as performances entre os casais, mas nunca participei. 

- Como, onde e quando surgiu o swing?
(Livro, pgs 71 e 72): “É praticamente impossível afirmar com exatidão onde, quando e como o swing teve origem. Este tipo de prática normalmente acontece inicialmente na residência dos praticantes e somente depois chega a espaços como bares, discotecas, etc. Existem diferentes versões sobre o surgimento formalizado do swing.
De acordo com Robert McGinley, presidente da NASCA International, associação que reúne clubes, eventos, informações e serviços relacionados ao universo swinger, a prática é associada aos key clubs (clubes da chave). Esses encontros eram realizados por casais militares da Califórnia, Estados Unidos, durante a década de 1950. Os maridos empilhavam as chaves do carro no centro de um cômodo e as esposas pegavam uma chave aleatoriamente. O dono da chave escolhida seria o parceiro sexual da mulher durante aquela noite.
Os key clubs transformaram-se em verdadeiros escândalos ao serem descobertos pela imprensa e serem apelidadas pelos jornalistas de wife swapping (troca de esposas) . Posteriormente, os próprios swingers teriam questionado o termo por considerá-lo androcêntrico e ultrapassado, pois subentendia que as esposas não tinham escolha e que a prática não era consensual. (…)
O jornalista e autor do livro The lifestyle: a look at the erotic rites of swingers, Terry Gould , acredita que o swing teria surgido durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) entre
pilotos da força aérea estado-unidense. Em uma determinada base, a taxa de mortalidade entre os militares era muito elevada e eles desenvolveram fortes laços de amizade e intimidade. Os soldados então estabeleceram uma espécie de pacto que implicava que, caso algum piloto fosse morto em combate, os colegas cuidariam de sua esposa tanto emocional como sexualmente.” 

Fechando a matéria, fica o respeito, admiração pela conceituada Jornalista, Escritora e Antropóloga  Maria Silvério.
"O conhecimento amplia a vida, conhecer é viver uma realidade que a ignorância impede de esfrutar"
 Diana Maia.
 
 
MARIA SILVÉRIO 

É jornalista, escritora e antropóloga. Nasceu há 31 anos em Montes Claros, no norte de Minas Gerais (Brasil). É doutoranda em Antropologia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e mestre em Antropologia com ênfase em Globalização, Migrações e Multiculturalismo na mesma instituição. Estuda temas relacionados com sexualidade, gênero e relações íntimas não-monogâmicas consensuais, como swing, casamento aberto, poliamor e amor livre.

SINOPSE
O livro Swing: Eu, Tu… Eles é o resultado do mestrado em Antropologia com ênfase em Globalização, Migrações e Multiculturalismo realizado pela autora no ISCTE-IUL. A partir do swing – também conhecido como troca de casais – Maria Silvério levanta importantes questionamentos acerca de valores e modelos conjugais, sexuais e de gênero predominantes nas sociedades ocidentais. O livro é escrito em linguagem leve e instigante de forma a ser acessível também ao público não acadêmico. 

Onde comprar:
 Montes Claros: Palimontes
Sites e lojas das livrarias -Chiado Editora (E-book e Impeso): https://www.chiadoeditora.com/livraria/swing-eu-tueles -Cultura (http://www.livrariacultura.com.br/p/swing-42273834#) 
-Saraiva (http://www.saraiva.com.br/swing-eu-tu-eles-7864200.html) -Martins Fontes (http://www.martinsfontespaulista.com.br/swing-eu-tueles-473951.aspx/p)
-Belo Horizonte: Leitura dos Shoppings (BH, Pátio, Del Rey, Minas e Contagem); Scriptum; Café com Letras, Quixote e Banca de Revista Albuquerque (Savassi)
-São Paulo: Livraria Cortez e Martins Fontes -Rio de Janeiro: Livraria Argumento (Leblon) e Instituto Kreatori (Laranjeiras) -João Pessoa: Livraria do Luiz -Natal: Cooperativa Cultural (Campus da UFRN)


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