quarta-feira, 20 de maio de 2026

Exército Brasileiro passa por avaliação da ONU para integrar missões de paz internacionais

 Cerca de 360 militares participam de treinamentos em São Gabriel (RS); A  avaliação  considera  critérios  como  preparo  operacional,  organização  da  tropa, capacidade  de  resposta,  comunicação  em  idiomas  estrangeiros  e  interação  com  a população  civil.

Diana Maia I Blog Jornalismo Imparcial
jornalismoimparcial@gmail.com

A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza, nos dias 21 e 22 de maio, uma avaliação operacional com tropas de Engenharia do Exército Brasileiro em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. O objetivo é certificar os militares para que possam integrar futuras missões internacionais de manutenção da paz e assistência humanitária.

Durante  a  inspeção  em  São  Gabriel,  avaliadores  internacionais  acompanharão demonstrações  operacionais,  oficinas  práticas  e  simulações  semelhantes  às  enfrentadas em  áreas  de  crise.  Entre  os  exercícios  previstos  para  a  Companhia  de  Engenharia  de  Força de  Paz,  estão  operações  de  terraplanagem,  drenagem,  topografia,  britagem  e  produção  de asfalto,  além  da  apresentação  de  viaturas  blindadas,  equipamentos  militares  e  estruturas utilizadas  em  missões  internacionais.  A  companhia  também  é  capacitada  para  o restabelecimento  da  trafegabilidade  de  estradas,  produção,  transporte  e  distribuição  de água  potável,  reconhecimento  especializado,  manutenção  da  malha  viária  e  trabalhos  de construção vertical em proveito das bases da ONU.

À  Companhia  de  Neutralização  de  Artefatos  Explosivos  (EOD)  cabem  missões  de  elevada especialização  e  risco,  voltadas  à  proteção  de  civis  e  à  segurança  operacional  em  zonas  de conflito.  Entre  suas  atribuições  estão  a  detecção,  o  acesso,  o  diagnóstico,  a  neutralização  e o  descarte  final  de  munições  explosivas,  incluindo  minas  terrestres  e  bombas,  bem  como  a destruição  de  munições  inseguras.  

A  companhia  também  presta  assessoramento  em  todas as  questões  relacionadas  a  EOD,  conduz  e  apoia  operações  de  busca  de  rotas  e  escoltas de  comboios,  realiza  coleta  de  inteligência  tática  de  armas,  investigação  de  incidentes pós-explosão  e  avaliação  de  evidências,  além  de  reforçar  outros  elementos  EOD  no enfrentamento a ameaças explosivas. 

A inspeção acontece em um momento de alta tensão global, onde cresce a demanda por tropas preparadas para reconstruir infraestruturas, proteger civis e apoiar a segurança em regiões afetadas por guerras e crises.

As atividades no solo gaúcho mobilizam cerca de 360 militares e são conduzidas pelo 6º Batalhão de Engenharia de Combate e pelo 9º Regimento de Cavalaria Blindado. Eles estão divididos em duas frentes de alta especialização:

  • Companhia de Engenharia de Força de Paz: Responsável por obras pesadas, como terraplanagem, produção de asfalto, distribuição de água potável e reconstrução de estradas para garantir o trânsito em áreas de crise.

  • Companhia de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD): Tropa focada em missões de alto risco, encarregada de detectar, desarmar e descartar minas terrestres, bombas e munições não detonadas, além de fazer a escolta de comboios.

Critérios de avaliação e diversidade

Para receber o selo de aprovação da ONU, os militares precisam demonstrar agilidade nas simulações práticas, organização técnica e capacidade de comunicação em idiomas estrangeiros.

Outro ponto avaliado é a interação com as populações locais. O Exército conta com um "pelotão de engajamento", grupo treinado especificamente para fazer o meio de campo entre os militares e os moradores das comunidades. Alinhada às diretrizes globais da ONU, a composição do grupo também se destaca pela inclusão e participação de mulheres militares.

Testes pelo Sul do Brasil

A ação no Rio Grande do Sul é a segunda etapa de uma grande inspeção que começou no Paraná entre os dias 18 e 20 de maio, passando por cidades como Foz do Iguaçu e Cascavel para avaliar as tropas de Infantaria.

No total, mais de 1.260 militares participam dos testes nos dois estados. Caso recebam o aval dos inspetores internacionais, as tropas brasileiras entram oficialmente para o sistema de prontidão da ONU, prontas para serem acionadas em qualquer parte do planeta.





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