segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Desigualdades sociais aumentam a insegurança financeira no Brasil



Diana Maia/Blog Jornalismo Imparcial

Uma pesquisa feita pelo Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades reforça que as desigualdades sociais no Brasil ainda estão presentes e mais consistentes nos últimos 4 anos. A desigualdade de gêneros e raça são ainda piores, uma vez que o problema parece estar estagnado, mesmo com algumas melhoras significativas (mesmo que em baixo percentual).

Mulheres e negros, ainda se encontram no patamar de público mais desfavorecido quando o assunto envolve políticas públicas. Na porcentagem desse público, cerca de 39% são jovens entre 18 a 35 anos. Um número um tanto quanto alarmante. 

Para entender o porquê dessas desigualdades existirem, mesmo apresentando uma melhora significativa, entrevistamos a Correspondente Jurídica e especialista em Direito Constitucional, Sarah Holanda, para esclarecer o tema.

Diante da pesquisa, o que pode ser observado quanto as políticas públicas?

- É mais que perceptível que ainda exista um preconceito na hora de criar políticas públicas para pessoas historicamente vulneráveis. Quando digo preconceito, me refiro que o legislador, ao criar uma lei, analisa tão somente o conceito técnico do problema, sem considerar fatores sociais, culturais, financeiros e ambientais que, de uma forma ou de outra, influenciam diretamente na hora de criar políticas públicas para as classes menos favorecidas.

É preciso ressaltar também, o monopólio político existente em cada região. Seja desde a esfera municipal até a federal, aqueles que detém o poder e, consequentemente maior poder aquisitivo, é quem “dita” como funciona o jogo. Acaba se tornando um sistema impenetrável e cruel, o qual sempre se perpetua, não trazendo melhorias práticas na vida de quem precisa.

A situação financeira é um fator diretamente ligado a outras áreas da vida de muitos brasileiros. Acredita que no ano de 2024, houve uma mudança quanto a segurança financeira, em especial de pessoas que enfrentam a desigualdade social de forma mais abrupta?

- Apesar de ter crescido consideravelmente, ainda não podemos dizer que o Brasil avançou com grande aproveitamento. Claro, hoje, o brasileiro está tendo dignidade para fazer suas compras, e sempre se reinventando quando o assunto é ganhar dinheiro. A insegurança financeira é quase que um “integrante familiar” na vida de muitas famílias brasileiras, pois não é incomum o brasileiro se preocupar com dívidas e como vai quitá-las. As desigualdades sociais agravam, e muito a sensação de insegurança financeira, pois a falta de investimento e distribuição adequada das políticas públicas gera medo e instabilidade. 

Os recursos públicos, muitas vezes, alvo de atos de corrupção, se distribuídos de forma justa e equilibrada, traria mais segurança financeira e ajudaria a resolver a alta demanda de famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade a se estabilizarem e, consequentemente, diminuir a desigualdade social presente cada vez mais no nosso país, principalmente para as mulheres, que cada vez mais, se tornam as chefes de família, conduzindo não apenas a família em seu modo estrutural, mas também tomando decisões cada vez mais firmes na gestão financeira, educacional e profissional.

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